Esta pesquisa orienta meu percurso de dois anos no DAS CHOREOGRAPHY, na Universidade das Artes de Amsterdã, centrando-se na relação entre dança, corpo e voz em múltiplas dimensões: física, sonora, vocal, sensorial, poética, ambiental e política.
Durante esse processo, pratico a(s) voz(es) como tecnologia para encantamento, fabulação e memória coletiva, ao mesmo tempo em que construo conexões inesperadas. Ao explorar o limiar onde se intersectam linguagem, som, respiração e vibração, investigo espaços liminares, bem como os aspectos sensoriais das palavras e as anatomias alucinadas que delas emergem.
Entendo essas práticas como formas de resistência e continuidade. Exploro maneiras de estudar, ensaiar, imaginar e reinventar ações e corporalidades, considerando suas vulnerabilidades resilientes frente às práticas extrativas coloniais e aos poderes cis-heteronormativos.
Sou acompanhade por histórias, gestos, colaborações e materiais — alguns vibratórios, outros invisíveis ou difíceis de controlar. Esses materiais incluem oráculos, o sentido do tato, o som da voz, a respiração, práticas telepáticas, fantasmas e traduções entre mundos. Dedico-me a criar condições para transformar nossos corpos e, através deles, perceber e conhecer de maneira diferente. Os sentidos tornam-se antenas para identificar danos e questionar o conceito moderno de separabilidade.
Apoio: Bolsa à Formação no Extrangeiro Fundação Calouste Gulbenkian 2022/24 (Portugal), DAS Choreography Programa de Mestrado (the Netherlands), AHK Internationalisation Fund (the Netherlands).